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Inteligencia-emocional-Daniel-Goleman

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aqui um distante universo —, a Troup fica num decadente bairro

de classe operária que, na década de 1950, tinha 20 mil pessoas

empregadas em fábricas próximas, da Olin Brass Mill à

Winchester Arms. Hoje, essa base de emprego reduziu-se a

menos de 3 mil, reduzindo também o horizonte econômico das

famílias que vivem lá. New Haven, como muitas outras cidades

fabris da Nova Inglaterra, afundou num poço de pobreza, drogas

e violência.

Foi em resposta às urgências desse pesadelo urbano que, na

década de 1980, um grupo de psicólogos e educadores de Yale

idealizou o Programa de Competência Social, um conjunto de

cursos que cobre praticamente o mesmo terreno do currículo da

Ciência do Eu do Centro de Aprendizado Nueva. Mas, em

Troup, a ligação com os tópicos é muitas vezes mais direta e

bruta. Não se trata de simples exercício acadêmico quando, na

aula de educação sexual na oitava série, os alunos aprendem

que saber tomar uma decisão pode ajudá-los a evitar doenças

como a Aids. New Haven tem a mais alta proporção de

mulheres com Aids nos Estados Unidos; várias das mães que

mandam os filhos para a Troup têm a doença — e também

alguns dos alunos. Apesar do currículo enriquecido, os alunos da

Troup lutam com todos os problemas de um centro urbano;

muitas crianças têm situações domésticas tão caóticas, senão

horrorosas, que simplesmente às vezes não conseguem ir à

escola.

Como em todas as escolas de New Haven, o mais destacado

sinal que recebe o visitante está na figura conhecida de um sinal

de trânsito em forma de diamante, mas que diz “Zona Livre de

Drogas”. Na porta está Mary Ellen Collins, a assistente da escola

— uma ombudsman que cuida dos problemas especiais quando

aparecem e cujo papel inclui ajudar os professores com as

exigências do currículo de competência social. Se um professor

não se considera seguro para ensinar uma lição, Mary Ellen vai

à classe mostrar.

— Eu ensinei nesta escola durante vinte anos — ela diz, ao

me receber. — Veja só este bairro. Não posso mais ver apenas

ensinarem matérias acadêmicas, diante dos problemas que esses

garotos enfrentam simplesmente vivendo. Veja os garotos daqui

que lutam porque têm Aids ou que têm um aidético em casa;

não sei se eles diriam isso durante a discussão sobre a Aids, mas

assim que um garoto sabe que um professor vai ouvir um

problema emocional, não só os escolares, está aberto o caminho

para esse tipo de conversa.

No terceiro andar da velha escola de tijolos, Joyce Andrews

conduz seus alunos da quinta série na aula de aptidão social que

eles têm três vezes por semana. Joyce, como todos os outros

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