Meditações - PSB

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21.07.2015 Views

72. Tudo aquilo que o raciocínio e o social achem irracional ou não fraternal,pode por eles ser declarado inferior a eles próprios.73. Quando tiveres feito uma boa acção, e outra pessoa beneficiar com ela,porquê pedir ainda mais — aplauso para tua bondade, ou um favor em troca —como fazem os insensatos?74. Ninguém se cansa de receber benefícios. Mas o benefício resulta da práticade acções que estão em consonância com a natureza. Nunca te canses, pois, dereceber tais benefícios pelo próprio acto de os conferir.75. O impulso da Natureza universal foi criar um mundo bem ordenado. Daí,então, que tudo o que está a acontecer tem de seguir uma sequência lógica; seassim não fosse, o objectivo primeiro para o qual se direccionam os impulsos daRazão-Mundo seria irracional. Ter isto presente ajudar-te-á a enfrentar muitascoisas serenamente.— 86 —

LIVRO 81. A tendência será para afastar a complacência, se te lembrares de quequalquer alegação de que tens vivido como filósofo está já fora de questão; defacto, é tão evidente para muitos outros como o é para ti próprio que mesmohoje ainda estás muito longe da filosofia. Consequentemente, o teu espíritocontinua em estado de confusão, e não fica nada mais fácil adquirir o título defilósofo; e também a tua posição na vida milita constantemente contra isso. Vistoisto à sua verdadeira luz, deves banir quaisquer pensamentos sobre como podesparecer aos outros, e ficar satisfeito se fores capaz de tornar o que resta da tuavida naquilo que a natureza te manda que seja. Aprende a compreender a suavontade e não deixes que nada mais te distraia. Até agora as tuas peregrinaçõesem busca da vida certa foram mal sucedidas; não se encontrava na casuísticada lógica, nem na riqueza, celebridade ou prazeres mundanos, nem em qualqueroutra coisa. Onde está, então, o segredo? Em fazer o que a natureza do homemprocura. Como assim? Adoptando os estritos princípios para a regulação doinstinto e da acção. Tais como? Princípios relativos ao que é bom ou mau paranós: assim, por exemplo, que nada pode ser bom para um homem a não ser quecontribua para o tornar justo, auto-disciplinado, corajoso e independente; e nada,mau, a não ser que tenha o efeito contrário.2. Sobre qualquer acção, interroga-te, Quais serão as suas consequências paramim? Irei arrepender-me? Dentro em breve morrerei e tudo será esquecido;mas, entretanto, se esse empreendimento é adequado a um ser racional e socialque está sujeito à mesma lei que Deus, porquê procurar mais?3. Alexandre, César, Pompeu — o que é que eles eram comparados comDiógenes, Heráclito, Sócrates? Estes olhavam as coisas e as suas causas, eaquilo de que eram feitas; e os seus espíritos-mestres foram fundidos no mesmomolde. Mas os outros — que monte de encargos, que infinidade de escravidões!4. Tu podes despedaçar o coração, que os homens, esses, continuarão comoantes.5. A primeira regra é mostrar um espírito tranquilo; porque todas as coisas sedevem submeter à lei da Natureza; e muito em breve tu terás de desaparecer nonada, como Adriano e Augusto. A segunda é olhar as coisas de frente econhecê-las pelo que elas são, tendo em mente que é teu dever ser um homembom. Faz sem hesitação o que a natureza do homem exige; diz aquilo que teparece ser o mais justo — mas com cortesia, modéstia e sinceridade.6. A função da Natureza universal é misturar, transpor, permutar, tirar de umestado e transferir para outro. Em toda a parte há mudança; e contudo nãotemos de recear nada de inesperado, porque todas as coisas são regidas porhábitos de longa data, nem mesmo a maneira de as ratear varia.— 87 —

LIVRO 81. A tendência será para afastar a complacência, se te lembrares de quequalquer alegação de que tens vivido como filósofo está já fora de questão; defacto, é tão evidente para muitos outros como o é para ti próprio que mesmohoje ainda estás muito longe da filosofia. Consequentemente, o teu espíritocontinua em estado de confusão, e não fica nada mais fácil adquirir o título defilósofo; e também a tua posição na vida milita constantemente contra isso. Vistoisto à sua verdadeira luz, deves banir quaisquer pensamentos sobre como podesparecer aos outros, e ficar satisfeito se fores capaz de tornar o que resta da tuavida naquilo que a natureza te manda que seja. Aprende a compreender a suavontade e não deixes que nada mais te distraia. Até agora as tuas peregrinaçõesem busca da vida certa foram mal sucedidas; não se encontrava na casuísticada lógica, nem na riqueza, celebridade ou prazeres mundanos, nem em qualqueroutra coisa. Onde está, então, o segredo? Em fazer o que a natureza do homemprocura. Como assim? Adoptando os estritos princípios para a regulação doinstinto e da acção. Tais como? Princípios relativos ao que é bom ou mau paranós: assim, por exemplo, que nada pode ser bom para um homem a não ser quecontribua para o tornar justo, auto-disciplinado, corajoso e independente; e nada,mau, a não ser que tenha o efeito contrário.2. Sobre qualquer acção, interroga-te, Quais serão as suas consequências paramim? Irei arrepender-me? Dentro em breve morrerei e tudo será esquecido;mas, entretanto, se esse empreendimento é adequado a um ser racional e socialque está sujeito à mesma lei que Deus, porquê procurar mais?3. Alexandre, César, Pompeu — o que é que eles eram comparados comDiógenes, Heráclito, Sócrates? Estes olhavam as coisas e as suas causas, eaquilo de que eram feitas; e os seus espíritos-mestres foram fundidos no mesmomolde. Mas os outros — que monte de encargos, que infinidade de escravidões!4. Tu podes despedaçar o coração, que os homens, esses, continuarão comoantes.5. A primeira regra é mostrar um espírito tranquilo; porque todas as coisas sedevem submeter à lei da Natureza; e muito em breve tu terás de desaparecer nonada, como Adriano e Augusto. A segunda é olhar as coisas de frente econhecê-las pelo que elas são, tendo em mente que é teu dever ser um homembom. Faz sem hesitação o que a natureza do homem exige; diz aquilo que teparece ser o mais justo — mas com cortesia, modéstia e sinceridade.6. A função da Natureza universal é misturar, transpor, permutar, tirar de umestado e transferir para outro. Em toda a parte há mudança; e contudo nãotemos de recear nada de inesperado, porque todas as coisas são regidas porhábitos de longa data, nem mesmo a maneira de as ratear varia.— 87 —

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