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A importância da poda no paisagismos - Ipef

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1º Curso em Treinamento sobre Po<strong>da</strong> em Espécies Arbóreas Florestais e de Arborização Urbana<br />

30 e 31 de outubro e 1º de <strong>no</strong>vembro de 1996 – Piracicaba/SP<br />

A <strong>importância</strong> <strong>da</strong> po<strong>da</strong> <strong>no</strong> <strong>paisagismos</strong><br />

ENG o AGR o MARCELO DE SOUZA MACHADO CRESTANA<br />

I. ALGUMAS INFORMAÇOES IMPORTANTES<br />

A história <strong>da</strong> po<strong>da</strong> é tão antiga quanto a história <strong>da</strong> humani<strong>da</strong>de. Desde as grandes e<br />

nebulosas montanhas chinesas até <strong>no</strong> Egito, dos vinhedos e pomares <strong>da</strong> Terra Santa e até os<br />

tranqüilos jardins japoneses, ca<strong>da</strong> uma dessas civilizações desenvolveu seu estilo próprio de<br />

po<strong>da</strong>.<br />

Os chineses trouxeram as montanhas para seus jardins, transportando as plantas<br />

miniaturiza<strong>da</strong>s para dentro de suas casas. Essa idéia mais tarde foi introduzi<strong>da</strong> <strong>no</strong> Japão <strong>no</strong>s<br />

Séculos XIII e XIV, e isso hoje é o BONSAI. O bonsai é a essência <strong>da</strong> forma e do<br />

sentimento asiático.<br />

Na civilização ocidental, as formas geométricas predominavam; <strong>no</strong> entanto, as<br />

informações básicas de po<strong>da</strong> são encontra<strong>da</strong>s na Bíblia, havendo nela muitas citações.<br />

A po<strong>da</strong> é hoje necessária para manter a forma <strong>no</strong>s jardins e <strong>da</strong>r frutos para <strong>no</strong>sso<br />

trabalho. De fato a definição de jardim poderia ser:<br />

"Um lugar que tem vi<strong>da</strong>, po<strong>da</strong>do para o benefício de plantas e pessoas".<br />

Efetivamente PODAR É ELIMINAR OPORTUNAMENTE OS RAMOS DE<br />

UMA PLANTA, COM ARTE, CIÊNCIA E TÉCNICA. Fora disso é MUTILAÇÃO!<br />

O sentido <strong>da</strong> po<strong>da</strong> de espécies vegetais, e corrigir seu desenvolvimento a<strong>no</strong>rmal,<br />

nunca conter o próprio crescimento <strong>da</strong> planta, de acordo com determina<strong>da</strong>s finali<strong>da</strong>des.<br />

Jamais confundir os objetivos <strong>da</strong> po<strong>da</strong>, de modo a se evitar dissabores futuros.<br />

Nunca aplicar em ornamentais os métodos de po<strong>da</strong> preconizados para frutíferas.<br />

Em espécies frutíferas, a po<strong>da</strong> visa:<br />

- A produção de plantas sadias, vigorosas e mecanicamente fortes.<br />

- A obtenção de plantas com copas bem forma<strong>da</strong>s e equilibra<strong>da</strong>s.<br />

- A distribuição uniforme <strong>da</strong> área de frutificação em to<strong>da</strong> a copa.<br />

- Promover a obtenção de frutos de boa quali<strong>da</strong>de e de tamanho adequado.<br />

- Regularizar a sucessão de safras, evitando-se a alternância de frutificação.<br />

Em espécies ornamentais, a po<strong>da</strong> traz benefícios específicos:<br />

- Direcionamento do crescimento <strong>da</strong> planta, trazendo como efeito imediato a<br />

alteração do microclima local. Os cortes afetam:<br />

= A movimentação do ar;<br />

= O nível de iluminação do local;<br />

= A temperatura ambiente;<br />

= A condição do solo.<br />

- Redução do seu desenvolvimento, <strong>da</strong>ndo forma à planta,<br />

- Rejuvenecimento <strong>da</strong> planta, como maneira de preservá-la.<br />

- Melhorar a saúde <strong>da</strong> planta, pelo arejamento <strong>no</strong> interior de sua copa.<br />

- Aumentar a superfície foliar e regularizar a floração e frutificação.


1º Curso em Treinamento sobre Po<strong>da</strong> em Espécies Arbóreas Florestais e de Arborização Urbana<br />

30 e 31 de outubro e 1º de <strong>no</strong>vembro de 1996 – Piracicaba/SP<br />

A <strong>importância</strong> <strong>da</strong> po<strong>da</strong> <strong>no</strong> <strong>paisagismos</strong><br />

II. O PODADOR COMO DECORADOR DE EXTERIORES<br />

São seis os tipos de po<strong>da</strong>. Qualquer um deles pode ser usado para mu<strong>da</strong>r a forma ou<br />

manter a planta em sua forma natural.<br />

1. CERCAS-VIVAS<br />

Definem os espaços do jardim, conferindo privaci<strong>da</strong>de ao seu usuário. Cercam<br />

ambientes dentro do jardim ou separam áreas. Pode-se deixá-las de forma plana, faceta<strong>da</strong><br />

ou como se fossem naturais.<br />

2. ARBUSTOS<br />

Os arbustos são considerados como enchimento do jardim. Devem ser empregados<br />

para preencher espaços vazios. Os maiores são plantados como "cortina de fundo"e os<br />

me<strong>no</strong>res localizam-se à sua frente, em escala descrescente, de tal modo que se contemple as<br />

suas texturas e cores individual mente e em destaque. Podem ser po<strong>da</strong>dos como as cercasvivas,<br />

formais ou ao natural.<br />

3. BORDADURAS<br />

Dividem os arbustos de áreas livres, separando-os. Têm larguras específicas,<br />

dependendo <strong>da</strong> espécie envolvi<strong>da</strong>.<br />

4. TREPADEIRAS<br />

Podem ser verdes ou colori<strong>da</strong>s. As mais comuns <strong>no</strong> Brasil, devem ser po<strong>da</strong><strong>da</strong>s<br />

sumariamente, para obterem brotações abun<strong>da</strong>ntes e produzirem flora<strong>da</strong>s exuberantes.<br />

5. TOPIARIA<br />

É uma escultura que se faz <strong>no</strong> jardim, po<strong>da</strong>ndo-se as plantas e conferindo-se a elas,<br />

formas geométricas ou de animais, utilizando-se de armações metálicas (estruturas) e<br />

arames, com os quais se amarram seus ramos.<br />

6. ÁRVORES<br />

Nas vias públicas jamais deveriam ser po<strong>da</strong><strong>da</strong>s. Passam por esse processo, pelo fato<br />

de terem sido mal escolhi<strong>da</strong>s ou mal produzi<strong>da</strong>s e igualmente conduzi<strong>da</strong>s de maneira erra<strong>da</strong><br />

desde o viveiro. As árvores são o mais completo e perfeito vegetal superior existente <strong>no</strong><br />

planeta. Há, então, que se preservar to<strong>da</strong>s suas partes para que exerçam suas funções.<br />

III. PODA DE ÁRVORES ORNAMENTAIS<br />

Po<strong>da</strong> é a eliminação oportuna de ramos de uma planta.<br />

À po<strong>da</strong> a árvore pode oferecer duas respostas:-uma positiva e outra negativa. Se<br />

positiva, logo após sua execução, ocorrerá seu avigoramento e conseqüente<br />

rejuvenescimento; se negativa, é certo o comprometimento <strong>da</strong> árvore, tendo como resultado<br />

final, seu definhamento, secamento e morte.


1º Curso em Treinamento sobre Po<strong>da</strong> em Espécies Arbóreas Florestais e de Arborização Urbana<br />

30 e 31 de outubro e 1º de <strong>no</strong>vembro de 1996 – Piracicaba/SP<br />

A <strong>importância</strong> <strong>da</strong> po<strong>da</strong> <strong>no</strong> <strong>paisagismos</strong><br />

Por uma série de razões, a adoção <strong>da</strong> prática de po<strong>da</strong> remonta ao passado. Um dos<br />

mais fortes argumentos para justificar sua adoção, é a escolha erra<strong>da</strong> <strong>da</strong>s árvores planta<strong>da</strong>s<br />

ao longo de ruas e aveni<strong>da</strong>s – o que passou e passa pelo "modismo <strong>da</strong> época" -, a maioria<br />

delas impróprias às reais necessi<strong>da</strong>des de ca<strong>da</strong> situação.<br />

Embora a coexistência entre árvores urbanas e melhoramentos públicos seja<br />

problemática, não se justifica o emprego vicioso e abusivo de poucas espécies na<br />

arborização de calça<strong>da</strong>s, uma vez que a flora brasileira é a maior e mais diversifica<strong>da</strong> do<br />

mundo.<br />

A po<strong>da</strong> de árvores ornamentais tem certas e determina<strong>da</strong>s finali<strong>da</strong>des, como<br />

estética, estrutural, fitossanitária e principalmente funcional, de modo a compatibilizar<br />

a arborização pública com os serviços, especialmente a distribuição de energia elétrica.<br />

Na remoção <strong>da</strong> ramagem de sua copa, há que se ter em mente quais são os fatores<br />

condicionantes ao êxito <strong>da</strong> po<strong>da</strong>, quais sejam:- A espécie <strong>da</strong> árvore (e sua resistência),<br />

a i<strong>da</strong>de <strong>da</strong> planta, a época de se po<strong>da</strong>r e o rigor <strong>da</strong> po<strong>da</strong>.<br />

Certas espécies são mais resistentes que outras à po<strong>da</strong>. Árvores de copa arredon<strong>da</strong><strong>da</strong><br />

mantêm sua forma depois de po<strong>da</strong><strong>da</strong>s, ao passo que aquelas ditas de "copas típicas", jamais<br />

as restabelecem.<br />

Árvores obti<strong>da</strong>s de mu<strong>da</strong>s mal forma<strong>da</strong>s têm ramos mal direcionados e são<br />

defeituosas. Devem ser corrigi<strong>da</strong>s quando em i<strong>da</strong>de adulta (em sua copa e não em seu fuste),<br />

ocasião em que to<strong>da</strong>s as suas funções são plenas e distintas as fases de seu ciclo produtivo:<br />

- repouso vegetativo, brotação, floração e frutificação.<br />

Quantos erros se cometem po<strong>da</strong>ndo-se fora de hora!<br />

As árvores se enquadram em três grupos básicos para efeito de época de<br />

desenvolvimento <strong>da</strong> po<strong>da</strong>: - árvores de repouso real ou ver<strong>da</strong>deiro, árvores de repouso falso<br />

ou aparente e árvores de folhagem permanente. Para ca<strong>da</strong> um dos grupos, há indicações de<br />

"quando po<strong>da</strong>r".<br />

Rigor ou intensi<strong>da</strong>de <strong>da</strong> po<strong>da</strong> refere-se à quanti<strong>da</strong>de de ramos que podem ser<br />

retirados de uma árvore sem comprometê-la. Na pior <strong>da</strong>s hipóteses, pode-se retirar de uma<br />

só vez, uma terça parte dos volume de ramos <strong>da</strong> copa de uma árvore <strong>no</strong> a<strong>no</strong>. Em a<strong>no</strong>s<br />

seguintes, se retirados ramos em igual volume, a planta é conduzi<strong>da</strong> ao desgaste e secam.

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