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Pelas tramas de uma cidade migrante (Joinville, 1980-2010)

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povoado, não constava na planta da cida<strong>de</strong> 150 . Migrantes <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>ntes<br />

<strong>de</strong> alemães e italianos lá se instalaram a partir <strong>de</strong> 1930 para plantar<br />

milho, aipim e arroz. Na década <strong>de</strong> 1960 o bairro passaria também a<br />

ser habitado por operários. É nesse momento que situa “o início do<br />

choque cultural entre a população local”. Para as autoras do livro, Meurer<br />

informa que, <strong>de</strong> um lado, “estavam os caboclos brasileiros como foram<br />

<strong>de</strong>nominados, um tanto <strong>de</strong>spreocupados e pouco religiosos”, e, <strong>de</strong> outro,<br />

os agricultores “bastante religiosos e laboriosos” 151 . O choque cultural<br />

teria sido agravado nos anos <strong>de</strong> 1970, quando ali também se formou<br />

“<strong>uma</strong> verda<strong>de</strong>ira colônia” <strong>de</strong> <strong>migrante</strong>s paranaenses. Porém, por força da<br />

integração entre os mais jovens, previa que os “confrontos” terminariam.<br />

Em contrapartida, sugeria que o abandono e as <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>s sociais<br />

passariam a atingir cada vez mais a vida da população do local.<br />

Embora sem fazer referência ao livro, o jornalista Luiz Fernando<br />

Assunção, n<strong>uma</strong> longa reportagem do jornal A Notícia, em fevereiro <strong>de</strong><br />

1997, qualifica o bairro como “mescla insólita do urbano e do rural” 152 .<br />

Dando <strong>de</strong>staque às rixas entre os moradores, o Morro do Meio, “sem<br />

esgoto, sem infra-estrutura”, sofria com a “indiferença” dos políticos.<br />

À falta <strong>de</strong> transporte, assistência médica e escolas, somavam-se os<br />

loteamentos clan<strong>de</strong>stinos. Informa que os moradores antigos “reclamam<br />

que a violência do bairro chegou com a fornada <strong>de</strong> i<strong>migrante</strong>s à procura<br />

<strong>de</strong> emprego”. Entretanto, em sua opinião, “com ou sem <strong>de</strong>savenças<br />

raciais ou sociais”, agricultores, operários e comerciantes, “todos esperam<br />

melhoria para o bairro, mais infra-estrutura, mais crescimento” 153 .<br />

No discurso do jornalista cruzam-se outros discursos, incluindo o<br />

do historiador, pois, a seu jeito, Luiz Fernando Assunção acredita que,<br />

para a população empobrecida e abandonada à espera <strong>de</strong> mudanças,<br />

seria necessário “li<strong>de</strong>ranças políticas” menos indiferentes aos problemas<br />

do Morro do Meio.<br />

Tal crença é corroborada em outro artigo, agora <strong>de</strong> autoria <strong>de</strong><br />

Meurer, publicado alguns meses <strong>de</strong>pois no mesmo jornal.<br />

150 A <strong>de</strong>nominação Morro do Meio é atribuída às características geográficas no período <strong>de</strong><br />

estabelecimento dos primeiros moradores. Além <strong>de</strong> ser cercado por dois rios (Lagoinha e Piraí),<br />

o principal caminho culminava num morro la<strong>de</strong>ado por outros dois. CORREA, Roseana Maria;<br />

ROSA, Terezinha Fernan<strong>de</strong>s da (Orgs.). Op. cit. p. 111.<br />

151 Id. Ibid. p. 112.<br />

152 ASSUNÇÃO, Luiz Fernando. Morro do Meio e seus arrozais. a notícia, <strong>Joinville</strong>, 9 fev.<br />

1997b.<br />

153 Id. Ibid.

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